terça-feira, 16 de novembro de 2010

Para ser eficiente, ensino de ciências precisa de método contínuo e com escalabilidade

Para ser eficiente, o ensino precisa não apenas de livros e professores, mas sim de um método que acompanhe os estudantes do ensino básico até o superior e que possa atender o Brasil em larga escala. Essa foi uma das conclusões do debate "Desafios da Educação Científica no Brasil", promovido pela Unesco e realizado na Folha de S.Paulo na última quinta-feira (11/11).

O debate fez parte da agenda de eventos da Unesco para o "Dia Mundial da Ciência pela Paz e pelo Desenvolvimento", comemorado em 10 de novembro. Participaram do debate o representante da Unesco no Brasil, Vincent Defourny; o professor de Química da Universidade Federal de Pernambuco e membro da Comissão Técnica do Programa Nacional do Livro Didático em Ciências do Ministério da Educação, Antonio Carlos Pavão; o presidente da Sangari, Ben Sangari; e o editor de Ciências do jornal Folha de S.Paulo, Reinaldo José Lopes, como mediador do encontro.

Para Defourny, da Unesco, o sistema brasileiro de ensino perde eficiência por não ter uma linha de continuidade no ensino de ciências. "É preciso manter o aprendizado desde o começo do ensino fundamental até a faculdade, senão os esforços se perdem pelo caminho", afirmou ele.
Defourny defendeu a existência de um método de longo prazo para sistematizar esse ensino e que tenha escala suficiente para alcançar os milhões de estudantes brasileiros. Segundo ele, o Brasil detém o conhecimento e os profissionais necessários, mas está faltando um método que ajude a manter o foco no aprendizado de ciências para os alunos, sem se perder em mudanças de propostas a cada ano.

Ben Sangari apresentou dados sobre a relação que existe entre um bom ensino de ciências e a produção científica de ponta que existe em países que investem em educação. Segundo Sangari, o Brasil, com seus 33 milhões de crianças no ensino fundamental, precisa adotar uma ferramenta de ensino de Ciências urgentemente. "Não dá para esperar dez anos para se tomar essa decisão. Tem de ser agora, para não se perder uma geração de bons profissionais num futuro breve",disse ele.

Segundo Sangari, para dar conta desse desafio, um método de ensino precisa ter escala, ou seja, capacidade de atender a um grande volume de alunos num país das dimensões que tem o Brasil, e com rapidez, citando o método criado por sua empresa, CTC - Ciência e Tecnologia com Criatividade, como exemplo de produto pronto para essa finalidade. "Não adianta apenas distribuir livros didáticos se o aluno não tiver interesse pela Ciência", completou.

O professor Antonio Carlos Pavão defendeu o uso de livros didáticos no ensino de Ciências, mas acompanhado de métodos como o da Sangari, em que o aluno é levado a exercitar sua curiosidade científica. "Eu defendo a ideia do aluno-cientista, mas a escola tradicional não fomenta isso, porque ainda está baseada num modelo do século XVI, com um mestre em frente a um grupo de alunos sentados e obrigados a memorizar conteúdo", afirmou Pavão.
Segundo o professor, "é preciso quebrar as paredes da escola" e aproximar as crianças da Ciência. "Em vez de falar de insetos numa aula dentro de uma sala fechada, deve-se levar a criança até o pátio da escola e mostrar um formigueiro para ela", comentou Pavão.

Assista aos depoimentos dos participantes do debate.

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